domingo, 31 de agosto de 2008

Testemunho (Madalena Carvalho)

É preciso tornar o Programa mais acessível


É certo e muito badalado por toda a gente, que o interior do país, pelo seu isolamento e distância dos grandes centros urbanos, carece cada vez mais de um olhar atento por parte dos nossos dirigentes, de modo a poder garantir igualdade de oportunidades para aqueles que resistem e continuam a povoar estas paragens, lutando contra as mais diversas dificuldades que enfrentam.
Esta iniciativa de Reconhecimento, Validação, e Certificação de Competências, foi para nós uma lufada de ar fresco na possibilidade que nos é oferecida, de podermos ver reconhecido todo o conhecimento que ao longo das nossas vidas fomos adquirindo. Tornou-se para mim, motivo de maior auto estima e consciencialização das minhas capacidades. Andei a vida inteira a ouvir falar em modéstia e discrição, de certa forma a não evidenciar as minhas reais competências. A aguardar que os outros as reconhecessem. Neste processo, fomos levados a por de lado todos esses preconceitos e a mostrar aquilo que de bom e sábio adquirimos ao longo da nossa existência.
Se para mim foi relativamente acessível integrar-me no esquema das Novas Oportunidades, reconheço que para a maior parte das pessoas aderentes, tal não é assim tão evidente. Reconheço assim que para quem não está habituado a escrever no seu dia-a-dia, se torna um pouco difícil transmitir para o papel, os conhecimentos adquiridos e o que nos é pedido que saibamos identificar e nos quais temos que saber mostrar a nossa vivência. Penso que há ainda algum caminho a percorrer no sentido da orientação nas sessões, ou na apresentação mais selectiva e pormenorizada dos temas a abordar. Também a exigência da presença física, mais efectiva e regular nas sessões, pode transmitir a muitas pessoas um maior sentimento de compromisso e proximidade, por parte daqueles que precisam do apoio necessário para levar a termo este projecto. Tenho também de falar na dificuldade que muitas pessoas têm em se isolar, nas suas casas, para procederem à elaboração dos trabalhos a apresentar. Seria pois de grande utilidade que essas pessoas pudessem ter mais apoio, em horas passadas com os professores.
Não sendo de fácil abordagem, os temas apresentados carecem de muita reflexão e tempo para nos podermos exprimir sobre os mesmos. Concordo que tratando-se do nível secundário, o grau de exigência é mais elevado. Mas, se queremos dar oportunidade a grande parte dos adultos que abandonaram a escola porque esse método não lhes despertava interesse suficiente, será preciso rever os moldes em que este Programa é apresentado. È preciso tornar o Programa mais acessível e arranjar forma de tornar atractiva a maneira como se lhe deve corresponder.


Madalena Carvalho
(Soalheira)
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Estava habituada a um ensino diferente

Ao iniciar o RVCC fui logo determinada, tinha que terminar. Confesso que no início era um pouco estranho, entender que ensino era este, pois eu estava habituada a um ensino diferente, com disciplinas, testes. Este ensino era sobre a nossa experiência de vida, daí a denominação de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. Ao realizar uma retrospectiva da minha vida desde o início, lembrei-me de coisas boas, outras menos boas, mas que todas têm uma razão de ser. Tudo nos faz crescer, torna-nos responsáveis e determinados, como foi o meu caso, decidi terminar o ensino secundário e nada me fez mudar de pensamento. Aprendi muito e foi para isso que me inscrevi, eu pensava que em certas áreas que não me conseguia desenvolver, mas com muita força de vontade, consegui!!!!
Adulto RVCC - NS

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